Como numa fiada de pérolas

O mar: Só os moinhos de água faltamO mar: Só os moinhos de água faltam · Foto: © Johnny Belvedere from Pixabay

E favor de todo o povo português tal como numa fiada de pérolas • de Eberhard Fedtke e Ana Carla Gomes Fedtke

> As nossas perspetivas modernas, inúmeras vezes, ainda que de olhos e ouvidos bem abertos, não veem as possibilidades fundamentais para os progressos e para as soluções lógicas favoráveis, dentro da época em que vivemos. De vez em quando, a natureza ou uma certa situação ambiental ou quotidiana perigosa, confere-nos uma inspiração inicial para termos uma reação adequada ou até para criarmos inovações revolucionárias do homem.

Analisemos o setor da água potável na terra, uma condição de primeira linha para toda a nossa vida humana; para a existência rica da fauna e da flora e para o funcionamento do clima. À inúmera população mundial, acresce a terrível evidência de ela não ter o acesso suficiente a este bem essencial. A urgência do tema, vai-se já alargando a muitas mais partes do mundo, e vai causando perturbações de sobrevivência para os povos. O puro deserto é o produto final da falta permanente de água. A multiplicação das terras secas e desertas começam a fazer parte de uma mudança global do clima no nosso globo terrestre. Um resultado absolutamente aterrador do literal abuso de uma civilização exigente e de um consumo privado sem escrúpulos. Água doce e água potável, em qualquer parte do mundo, obtém uma nova denominação de o ouro da terra.

O nosso globo tem, como é sabido, 71 porcento de continentes e 29 porcento de água. O sal integra parte dos mares, as suas águas não são potáveis. Água doce suficiente no mundo inteiro, em princípio, falta porque falta chuva suficiente no mundo contemporâneo, também como resultado da mudança impertinente do clima, com os desertos crescendos no globo, agrava-se o problema, sem uma esperança condigna na regeneração em muitas partes afetadas. 

Olhamos para a nossa atualidade quotidiana no que diz respeito à água potável: em Portugal passamos um significante período de falta de chuva, há anos em curso. Em janeiro de 2022, por exemplo, só caiu 25 % de chuva, como prova a ­estatística estatal permanente, como se resume neste mês, comparativamente com anos anteriores. 75 % de falta deste bem essencial é um puro desastre para a agricultura, em primeiro lugar, mas não só, também para toda a nossa vida quotidiana. Pode ser, esperamos, um mero intermezzo ocasional da natureza, mas pode-nos alarmar para um contributo severo de uma evolução maçadora de longo prazo e, substancialmente perigosa. Não se pode continuar assim, alertam os responsáveis. O mais provável é que Portugal venha a entrar numa catástrofe natural, deturpando-se progressivamente a flora e a fauna. Ninguém sabe até quando vai continuar este castigo de seca e se estamos apenas no início normativo de uma mudança global do ambiente, cessando, definitivamente, para Portugal, chuvas em necessidades reais. O resultado catastrófico é óbvio e coloca numa situação dificílima todos os sectores de produtividade, dependentes de água pura, especialmente num mundo moderno, com necessidades crescentes. Ascetismo de água não faz sentido.

Rezar e esperar perante o fenómeno pré-pânico são boas medidas já experimentadas, efetivamente aconselháveis, afectuosas até, mas convém que usemos também a cabeça, a nossa inteligência e medidas sobretudo de fantasia industrial. A missão histórica, não só um projeto ocasional em causa, poderia ser articulada do seguinte título: como de facto não temos a garantia de um abastecimento sustentável de água na nossa terra, apenas percentagens incertas, e para não corrermos um risco fundamental, apresentamos algumas dicas de como poderiam ser corrigidos estes factos e sintomas a favor de uma água doce permanente e de autossuficiência, fazendo uma análise correta. Entrar no assunto de forma séria, oferece perspetivas muito interessantes para as aprofundar.

Foto einer Wasserflasche im Meer

Wasserflasche im Meer · Foto: © 0fjd125gk87 from pixabay

Factos certos são: existem instrumentos técnicos, quero dizer máquinas, que podem filtrar água salgada do mar, tornando-a em água potável. Trabalham, para o efeito, máquinas purificadoras em todo o mundo de diversos tipos, até ao ponto de água 100 % ecológica, também no campo de dessalgar água do mar. A técnica não é muito complicada, mas as referidas máquinas são caras e precisam de um tratamento contínuo qualificado e de uma manutenção permanente, de manejo individual. 

Para o nosso país, não há dúvidas que não falta água do mar, muito pelo contrário, com uma costa atlântica de 832 quilómetros de extensão, poderá sempre existir «água de entrega livre na porta». A natureza mostra-se generosa: com os degelos dos icebergs no ártico, os mares sobram em todas as regiões do mundo. Quantidades significativas de pessoas capazes para levar ao cabo esta profunda tarefa da indústria de «limpeza de água salgada», também não faltam. Ora, a modernização e a tecnologia, em crescendo, em todo o mundo do trabalho, produzem continuamente menos postos do trabalho. A profissão de um «engenheiro de purificação de água» poderá vir a ser uma nova profissão, com efetivas e boas perspetivas de futuro. É um chance histórico, criando, desta forma, um nova ­categoria profissional, com novos postos de trabalho no país, abrindo este horizonte um pessoal com uma educação ­especifica.

Depois de se ter prognosticado estas duas condições fundamentais, técnica e manpower, faltam os próximos passos concretos para construir e instalar estas máquinas de despoluição de água em grandes quantidades. Dever-se-ia definir uma estratégia territorial de bom exploração razoável, por forma identificar os locais favoráveis para novas instalações, perto do mar, dentro ou fora da praia, a fim de facilitar a sua melhor funcionamento e manutenção. Pensamos, por exemplo, numa fiada de pérolas desde o norte até ao sul de Portugal, com uma rede diagonal de distribuição desde o oeste ao leste, com abastecimentos em todo o país. Pode, assim, haver um certo renascimento afectuoso de aquedutos, em estilo moderno e adaptado às novas necessidades, mas também − e visto que a boa fantasia não tem limites − em manufaturas semelhantes de antigas peças, ainda existentes. Assim, reflitamos através de uma visão decorativa através de toda a costa portuguesa, decorada com uma fila pitoresca, em distâncias razoáveis, com construções em estilo de moinhos antigos ou outras estruturas características do país, a fim de se criar para este fiada de pérolas uma competição criativa de arquitetos engenhosos. 

Estes novos exploradores podem vir a brilhar, purificando e transformando a água salgada sem fim, em água doce. Uma revolução técnica inteira e um genial conjunto produtivo seria a coordenação local nestes moinhos, trabalhando em estilo antigo ou moderno, numa espécie de turbina eólica geradora, basicamente exclusivamente via força do vento, quase com um impulso simétrico, que funcionaria em simultâneo com a realização da filtração de água salgada, bem como o transporte da água polida em lugares, cujo destino estaria já traçado, uma sequência polifásica.

Illustration: Os moinhos da água

Os moinhos da água · © Illustration: Andreas Lahn

Falta o ponto final. O pagamento desta industria e o procedimento complexo: em pagamento estariam sete grandes sectores com subsectores regionais: a construção nacional central das máquinas de filtragem, a instalação delas, os moinhos de água em locais definidos na praia, a construção e manutenção de reservatórios e depósitos no interior do país, a construção e a manutenção das redes na sua totalidade para o transporte do precioso bem, a distribuição da água em determinados locais, a administração toda esta sequência, a partir da produção até à faturação/distribuição aos consumidores, assim finalmente a formação do pessoal.  Nasce e serve para este fim financeiro, uma ideia multicolorida: pode muito bem ajudar que, lado a lado com financiamentos tradicionais e com subsídios nacionais e internacionais, surja um plano de financiamento brilhante, eficaz e moral e, com múltiplos efeitos, suscitando quantias consideráveis do capital privada português, que regularmente são levados para fora de país, como toda a gente sabe. Estas quantias dormem e, por essa razão, falta a liquidez geral pública internamente, que poderiam, efetivamente, servir como empréstimos particulares − evidentemente na base de uma anterior amnistia total e irrevogável do Estado – para a exploração eficaz deste programa nacional de criação e de realização num «sistema de garantir sempre água pura em Portugal». Através desta técnica própria portuguesa poderia, inclusive, ressurgirem novas patentes mundiais, agindo com pessoal próprio e numa situação terrestre ótima. Dar-se-ia, por isso, a oportunidade de exportar água pura, como os portugueses já fazem, e com muito sucesso, no sector das exportações de eletricidade. Vale a pena ativar todas as fontes financeiras nacionais, incluindo o dinheiro preto reimportado, para esta forte riqueza, que seria a de produzir continuamente água ecológica, não faltando, em Portugal, água pura para a agricultura, para as diversas industrias e para o consumo interno. Também os bombeiros poderiam aproveitar destas redes regionais de água no combate a incêndios de florestas, em tempo de seca, provavelmente sempre mais fortes no futuro, minimizando, por exemplo, os custos enormes de hidroaviões.

Uma outra vantagem evidente seria o apoio profundo para um reforço e o crescimento do turismo, criando também ­novos postos de trabalho. Resumindo, acrescendo a este aumento prospero uma áurea mais brilhante: Portugal ­poderia com a sua água em superabundância, transformar-se, multiplicando as firmas de jardinagem, com repercussões a variadíssimos níveis, criando, para reforçar, novos e permanentes postos de trabalho. Aí, sim, Portugal tornar-se-ia, totalmente, num grande jardim em flor, sendo esta beleza da natureza uma excelente carta de visita para a imagem no mundo inteiro, em concreto: Portugal com um clima saudável, sem polução digna de menção, com mais horas de sol na Europa, com um ambiente de bem-­estar, usufruir-se-ia ainda mais de um clima social pacífico. Em suma: o país poderia tornar-se em luz idílica, dentro de um mundo cada vez mais nebuloso e sujo. 

Portugal tem muitos valores ainda não explorados. Neste nosso caso em causa, falamos de uma inovação natural, sem influências negativas da parte de industrias modernas que perturbam com barulho, mau cheiro e outros desgostos, a nossa vida quotidiana. É mais do que um sonho irreal limpar água do mar na dimensão perfeita de uma indústria nova, rente à nossa magnífica costa, em grande estilo e com uma inovação de excelência, exclusiva às próprias condições e elementos humanos, técnicos e materiais, conferindo-se, também, um adequado ­financiamento completo, no fim, com a venda de água ao consumidor final, incluindo um lucro calculável. 

Bem, atenção − sentimento nacional: só com reservas privadas é possível salvar todo o futuro da existência biológica e climática do país − que tarefa exclusiva do ponto de vista ambiental, económico, moral e ético! É que, no fim, é tão fácil cumprir e produzir tudo, contra uma fatalidade ante portas de um flagelo mortal de seca, precisa-se apenas de um bom planeamento! Também de um espírito empreendedor, entrar orientado e metodicamente no assunto emocionante e numa tarefa em profundo alvoroço.

Quem dá o primeiro passo nesta iniciativa de investimento da atualidade? Chegou a hora!

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