Festa de São João em Braga cada vez mais viva

Foto der Plastik-Hammer, mit denen sich die Leute beim Fest São João im Norden Portugals auf den Kopf hauen

Der Plastik-Hammer ist das wichtigste Utensil für das São João-Fest am 24. Juni in Porto · © Andreas Lahn

Festa de São João em Braga cada vez mais viva
Ana Carla Gomes e Eberhard Fedtke

O mais recente programa da festa do S. João, apresentando uma agenda cultural, folclórica e clerical, no dia 24 de Junho, é um evento cada vez mais popular, com relevância comparável ao Natal e Páscoa.

Já este ano o S. João chamou para a rua milhares de cidadãos de Braga e arredores, acrescendo a estes, multidões de ­turistas, vindos de quase toda parte do planeta que percorreram a pé a Avenida da Liberdade e festejaram efusivamente o acontecimento anual, debaixo de um agradável céu de verão, uma componente muito importante para esta celebração plebeia de rua. A atmosfera foi, como sempre, bem colorida.

Também no Porto, na famosa capital do Douro Litoral, as gentes celebram o ­S. João. O evento foi importado de Braga, onde originalmente terão começado tais comemorações. Braga e Porto vivem de uma concorrência animada para ver quem torna o espetáculo mais criativo e impressionante. Outras cidades no país também festejam diversos e conhecidos santos, por exemplo, em Lisboa celebra-se o Santo António a 13 de Junho e em Évora o S. Pedro a 29 de Junho, já para não falar de outras comemorações similares em variadíssimas regiões de Portugal. Um plano vantajoso para a indústria de carrosséis e variadíssimos animadores circenses, bandas e músicos que ­passam a vida andando de um lugar para outro energicamente.

A atual festa do S. João de Braga está culturalmente enriquecida de exposições e variadas apresentações musicais e culturais, este ano todo o programa ­decorreu entre 11 e 30 de Junho. Os temas das exposições foram, por exemplo, desde »O S. João de 1917«, aliás o ano do ­milagre de Fátima, até aos »Gigantones e Cabeçudos do São João em Braga« que deram testemunhos silenciosos e clássicos da arquitectura da cidade de Braga, Bracara Augusta e Barroca e lembrando simultaneamente o S. João do homem sagrado. No programa vistoso, saltam à vista as Sanjoaninas e os desfiles de bandas. Promovem-se cada vez mais eventos de alta categoria.

A cerimónia anual dos festejos de S. João representa uma tradição verdadeiramente fixa. Depois de uma saborosa sardinhada em casa com a própria família ou fora com os amigos num dos muitos restaurantes das ruas da cidade, acompanhada por broa de milho, azeitonas e pimentos e uma boa garrafa de vinho, a festa continua pelas ruas da ­cidade. Aí a comunicação é muito boa e intensa, quer com o »martelo na cabeça« quer com o alho porro debaixo do nariz, atividades que têm tanto de amigável quanto de cansativa, mas em qualquer caso pacífica.

A festa prossegue com inúmeras bandas de música. Grupos de dança assim como coloridas e inventivas rusgas ­atingem o top e o ponto culminante, por volta da meia-noite. Crianças entram ativamente na celebração, bebés de colo adormecem num cansaço profundo nos braços dos pais, apesar da crescente ­agitação e barulho. Este advém de vários palcos espalhados pela cidade, que ­oferecem música para todos os gostos. Diversos palcos apresentam sugestivos e pitorescos nomes tais como: palco Synergia, palco Desperados, palco Bira Ú lustre, palco RUM e palco da Avenida Central. No entanto todas estas fantásticas designações parecem viradas para a imaginação mística e contemporânea da juventude. Quem tem o desejo de dançar pode fazê-lo intensivamente com os POPados.

Vem depois o ponto alto da festa com o obrigatório fogo-de-artifício. Para os portugueses puros e fiéis, geneticamente marcados e infetados por qualquer tipo de vírus fogo, este momento reflete a ­alegria total: mais foguetes! Muito mais doses! Sem fim, se faz favor! Uma entonação infernal, um tártaro estético! Que desejo orgástico! No dia seguinte, não se pensa sequer nos custos deste mágico e fascinante evento.

Quem tem fome a meio da exaustiva noite, encontra de forma opulenta, pão com chouriço, bifana, frango assado, petiscos diversos, salgados, farturas e outras apetitosas escolhas da doçaria da famosa cozinha tradicional portuguesa.

A multidão animada vai ficando até ser dia, rindo e tagarelando toda a noite, ­alguns preparam-se já interiormente, de forma gulosa, para a próxima grande ­festa pública da cidade, a brilhante noite branca, a ter lugar no início de Setembro. Assim se vive neste país com uma determinada obsessão permanente pelas ­festas e festivais e que dá prioridade ao entretenimento e bem-estar, enfim, uma vida de luxo de abraços e beijinhos em grandes quantidades.

O evento clerical significante ocorreu na tradicional missa do arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, conhecido como um homem de coragem e de mente aberta, recordou, no dia 24 de Junho, a histórica figura de S. João Batista que viveu como um homem sem medo, que proclamou a verdade perante os compatriotas e ­perante os representantes do estado, ­denunciando sem ilusões e falsa perspicácia os erros da sua época e da sua ­sociedade, mesmo quando corria risco de vida. O arcebispo primaz encorajou os fiéis a soltar a língua, a deixar a passividade e a inércia e a interferir dedicadamente nos problemas atuais. Aguardemos para o que virá para 2018, tendo D. Jorge Ortiga sublinhado que é indispensável para o desenvolvimento de uma sociedade ativa, com alma e sentido, a intervenção hábil dos seus cidadãos, abrindo os mesmos mão da sua própria comodidade, eminente preferência para a sociedade moderna.

Vamos a ver, se o S. João ajudar. Por ­favor, santo reverendo, auxilia! É a tua festa!

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